Geração mimimi

21/02/2017

Ao abrir qualquer texto no Facebook ou em qualquer outra rede social, cujo tema era minoria, eu encontrava os mesmos comentários. – “Geração mimimi, tudo é racismo.” “Geração mimimi, tudo é homofobia.” A pior parte era descobrir na mesma publicação, pessoas que concordavam e possuíam discursos semelhantes.

Essa geração é infantil, incapaz de lidar com um ‘simples comentário.’ Leva tudo para o lado pessoal e entende como PRECONCEITO.”

O PROBLEMA SERIA ESSA GERAÇÃO?

Evidentemente, não. Gerações passadas não foram somente responsáveis pela instalação do preconceito na sociedade e o seu cultivo, mas, também pela desigualdade criada socialmente por coisas como racismo, machismo, homofobia, dentre outros.

Um mundo novo surgiu. Diversas maneiras de enxergar o hoje. O que antes parecia normal, agora é inadequado para muitos de nós. Não por se tratar de uma geração infantil expressado pelo mimimi que refere-se ao choro de uma criança. Mas por se tratar de uma geração informada. Atualizada a todo instante. Uma geração infantil alimentaria os erros passados (há quem faça). Continuaria calada. Felizmente, existe um despertar social, um fascínio pelo compreender. Um pedido por avanço.


NÃO É QUE TUDO SEJA PRECONCEITO HOJE. SEMPRE FOI PRECONCEITO.

O que mudou? Agora, por menor que seja, minorias possuem voz e há um leque digital enorme com espaço suficiente para abrigá-las. Os riscos ainda são os mesmos. Pessoas negras são arrastadas, mutiladas, mortas, seu movimento é deslegitimado o tempo todo. A escravidão acabou para os brancos. Porque os negros continuam sofrendo. A senzala apenas se modernizou, assim como racismo, agora camuflado. Muitas mulheres encorajadas pelo feminismo, denunciam o marido valentão. Recusam o silêncio. Não há lei que proteja pessoas LGBT no Brasil, entretanto, existem pessoas se unindo dentro da comunidade e compartilhando sua dor, sofrimento, abusos e descasos. Até mesmo dando suporte àqueles que precisam.

As minorias são massacradas. Enquanto seu clamor é tratado como choro de criança. Um equívoco, até mesmo uma criança é socorrida quando chora. A essas pessoas nada é oferecido. Mesmo assim, continuam lutando por equidade, compreensão e o direito a uma vida normal. O básico, que apesar de ser só o básico, é retido por aqueles que se encaixam de maneira perfeita à sociedade. Ao resto, migalhas. O passado segue fantasiado como presente.

A geração mimimi é a geração voz ativa. Geração que escolheu correr riscos, que não pretende abaixar a cabeça ou calar-se diante da desigualdade e a falta de humanidade. Geração essa que entendeu que em um mundo justo, qualquer forma de opressão é inaceitável. Descobriu que todas as vozes juntas possuem poder. Causa incomodo. Um incomodo crescente e tão desconfortável quanto pedra no sapato. Fez dos meios de comunicação uma arma eficaz para unir e expor. Subestimar o poder dessa juventude é um erro. Os jovens, hoje tratados como crianças choronas, vão às ruas contra o governo. Ocupam escolas, lutam por tudo aquilo em que acreditam.


(Foto por: Bruno R. Inoshita)




Eu, 20 anos e uma lição

14/02/2017

(Foto por: Bruno R. Inoshita)

Faz tempo que estou aqui, quase duas décadas. Bom, talvez não seja tanto tempo assim, mas já é uma vida. Não uma vida cheia de aventuras e histórias, mas a minha vidinha sem graça e normal. Como de costume, dias antes do meu aniversário eu preparo um texto melancólico ou engraçado para o blog. Acho que esse é um pouco dos dois.

Dia 26 eu completo 20 anos e não vou mentir. – É aterrorizante. Passou tão rápido que não posso dizer que sinto saudade de algo, o tempo voou e tenho a sensação que tudo que vivi aconteceu ontem à tarde durante um churrasco com um tio bêbado no comando da festa.

Lembro de me perguntar qual era a minha utilidade. Não tenho um talento, tampouco beleza, posso até ser engraçado, mas não o suficiente para estrear um show de comédia. Tudo isso me obrigava a pensar todos os dias em como ser único em um mundo com 7 bilhões de pessoas. Ser único não era apenas um desejo, tratava-se de uma necessidade. Sem dúvida um desafio. Algumas pessoas destacam-se por sua beleza, outras por seu talento. Eu, bem… Não me destacava em absolutamente nada. Sempre fui tão desajeitado. Derrubando coisas o tempo todo, caindo. – Eu tinha um problema tão sério com quedas, que meu pai resolveu isso da melhor maneira possível: “Se cair de novo, apanha.” – Obrigado, pai. Você é incrível.

Ser o patinho feio, o aluno mediano e o filho desafiador e topetudo, não foram coisas recompensadoras. De repente, ser admirado ou ter um talento tornou-se questão de vida ou morte. “Talvez ser bom em algo faça de mim alguém melhor.” Quem sabe especial. Então todos os meus erros passados seriam apenas um detalhe sem importância.

Me feri inúmeras vezes durante essa busca. Encontrar algo em que você seja perfeito é impossível. Estamos tão longe da perfeição. Mesmo que eu tenha demorado para entender que sou assim, finalmente abri meus olhos. Eu tinha quase 20 anos e ser o grande destaque da família era meu maior sonho. Eu tinha que ser bom em algo, bom não. O melhor.

Então, descobri que ser bom em qualquer coisa não faz de você uma pessoa única, talvez esse seja o passo inicial. Apenas. Ser alguém admirável vai além de ter um talento e ser reconhecido por ele. Você pode ser padeiro e as pessoas podem admirar você por isso, porquê você escolheu fazer com amor e logo se tornou o melhor. Eu exigia tantas coisas de mim, cobrava tanto. Era meu maior e pior inimigo, a pior crítica sempre partia da minha consciência. Quantas vezes escrevi um texto e apaguei por acreditar que não era suficiente. Me sabotava o tempo todo. Talvez seja essa a melhor parte de completar 20 anos, eu amadureci. Mas mantive minha essência, agora sinto mais segurança em tudo que eu faço. Não deixo de criticar meu trabalho, minha escrita, meu blog, meu corpo, meu jeito desajeitado e todo resto. Sei que tenho muito o que aprender. Mas deixei de me crucificar, entendo que o tempo me fortalece e devo esperar por ele. Enxergá-lo como amigo e não inimigo.

Um pedido aos 20:

Espero que você seja generoso e paciente. Que entenda meus medos. Espero ser seu melhor amigo e agradeceria se fosse recíproco. Querido 20, estou de braços abertos.


Beijos de você sabe quem...



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Playlist: Um pouco de mim (músicas e clipes estrangeiros favoritos).

17/11/2016

Eu sou apaixonado por música. Essa paixão não tem um gênero específico, se eu gostar da música vou ouvir até não aguentar mais.


Ouço de tudo, muita coisa nacional e internacional. Quando digo internacional, falo em uma escala global, não me prendo apenas a artistas americanos, vou além. Há muita música boa por aí. Eu particularmente, gosto bastante de música romena, é uma língua bonita que descende do latim, assim como italiano, francês, espanhol, português dentre outras e a Romênia possui grandes artistas, com voz de qualidade e melodias encantadoras.


Saindo da Europa em direção à Ásia, temos k-pop um gênero que conquistou admiradores de todas as partes do mundo. Claro, há também o j-pop, não é grandioso como a música coreana ou famoso como os animes japoneses, porém conhecido.


Na África, para ser mais preciso na Angola, um ritmo chamou minha atenção e me conquistou fácil, a kizomba. Com batidas fortes e letras quentes, a kizomba tem seu charme. Minhas cantoras favoritas nesse estilo são Anna Joyce, Pérola, Telma Lee e Bruna Tatiana.


Terminamos a nossa viagem pela América do Sul, representados pela Colômbia, Argentina e claro, nosso amado Brasil. Artistas como Lali Espósito e Anitta estão mostrando ao mundo que sabemos fazer pop, sim.


A propósito, se você não conhece o trabalho da cantora e atriz argentina Lali Espósito, você não vai se arrepender. Lali, acaba de lançar seu segundo disco. Intitulado “Soy”, o álbum tem sido um grande sucesso. A cantora já fez shows na Espanha, Itália, lançou clipe bombástico e tudo mais.



Finalmente, vamos a playlist. Todas as músicas abaixo fazem parte do meu cotidiano. Espero que goste!


Alina Eremia


Feli



Feli


BLACKPINK


HYUNA


BTS


Perfume


Perfume 


Anna Joyce


Anna Joyce


Pérola


Telma Lee


Karol G


Lali Espósito


Lali Espósito



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Conheça: Paulo Tawdr!

09/11/2016

Paulo Tawdr é um jovem estilista paulistano. Com apenas 21 anos de idade, Paulo deu início a sua própria marca que carrega seu nome. A marca Paulo Tawdr acaba de completar 1 ano e a primeira coleção intitulada Close, foi um sucesso absoluto. Até Karol Conká se rendeu ao talento de Paulo e usou uma de suas peças em um show.

Paulo, como foi seu primeiro contato com a moda?

Quando eu tinha uns 14 anos minha bisavó me ensinou a costurar minha primeira peça, desde então desenvolvi um amor enorme pela moda.

Quando decidiu que era esse o caminho que gostaria de seguir?

A partir do momento que fiz essa primeira peça, já comecei a sonhar e desejar um dia ter minha marca.

Qual o pontapé inicial para o desenvolvimento da marca Paulo Tawdr? Quando você deu conta de que estava preparado para ter uma marca que leva seu nome?

Então, não foi nada planejado. Final do ano passado eu tinha uma festa para ir e queria uma camiseta nova, mas eu tinha só 20 reais na época. Resolvi pegar esses 20 reais e comprar um pedaço de tecido, com esse tecido fiz uma camiseta pra eu usar nessa tal festa. Quando ela ficou pronta pensei: Por que não vendê-la? Foi então que publiquei em um grupo de brechó no Facebook e acabei vendendo. Com o dinheiro arrecadado fiz mais 2, depois 4, depois 8, etc.




Você tem algum tipo de ajuda para confeccionar as peças ou faz tudo sozinho?

Faço tudo sozinho, desde a compra do material até o envio. Normalmente minha irmã me ajuda embalar as peças, mas a confecção é toda feita por mim.

Sobre sua atual coleção. Quais foram suas bases e a maior fonte de inspiração?


Eu fiz pensando mais no meu público-alvo, grande parte dos meus clientes são jovens e “baladeiros”, então quis fazer uma coleção para aqueles que gostam de dar close na noite.



Eu vi recentemente que Karol Conká usou um vestido da sua marca em um show. Ela estava linda e nós sabemos que Karol não é só dona de sucessos, mas também um ícone fashion. Como seu trabalho chegou até ela e qual a sensação de ter alguém tão famosa usando uma peça sua?

Certo dia a Stylist dela seguiu a marca no insta, curtiu e comentou uma foto. Não lembro exatamente o que ela comentou, mas foi algo do tipo “adoraria produzir com suas peças.” Mandei um direct para ela e começamos a conversar e ela me disse que já imaginava a Conká usando uma das peças em um show. Foi então que enviei a long para ela. O sucesso foi tão grande que em breve ela vai usar um outro look da minha marca, estou bem ansioso.

Esse outro look, faz parte da sua nova coleção? Estava lendo que você planeja lançar uma nova em breve.

Não, não. O look é dessa atual coleção. Mas em breve quero enviar uma da nova coleção para ela ser a primeira a usar. Sim, a nova coleção se chama D'Vil, usei como inspiração uma lembrança muito feliz que tenho quando criança.



E o que pode nos adiantar em relação a nova coleção?

Estou tentando me controlar para fazer um suspense (risos). Mas já contei para meus amigos no Facebook que terá couro, pelo, transparência.

Eu como um bom entrevistador, fucei as redes sociais da marca e parece que ela tem um público fiel. Uma quantidade de pessoas que realmente segue e gosta do seu trabalho. De onde vem tamanho sucesso?

Até eu fico surpreso com a quantia de pessoas que acompanha meu trabalho. Eu nunca imaginei atingir uma quantia tão grande de pessoas em apenas um ano de marca.

O que espera da marca? Aonde Paulo Tawdr se vê daqui 10 anos?

Daqui 10 anos quero estar com lojas físicas espalhadas pelo Brasil e quem sabe pelo mundo, vestir grandes celebridades. Ser uma grande marca igual Versace, Dior, Gucci, Chanel, etc.

Moda é uma área muito difícil. Principalmente em um país como o Brasil, cheio de preconceito e restrições em relação a certas coisas. Por que é tão desafiador ser um estilista no Brasil e como se destacar?

Olha, realmente a concorrência no Brasil é muito grande e é um pouco complicado se destacar em meio tantos estilistas maravilhosos. Não que eu seja conhecido, mas o pouco que sou acho que se deve ao diferencial das peças, busco sempre por uma moda sem gênero e tento criar peças bem ousadas. Sobre o preconceito, existe muito. Vivo banindo/excluindo pessoas que vão até as redes sociais da marca deixar comentários negativos, quase todos os dias.



Quais são suas maiores inspirações na moda?

Minha maior inspiração é a Ladu Gaga. Assim como ela eu tento transmitir para as pessoas que me acompanham que podemos ser aquilo que queremos ser. Afinal a roupa diz muito sobre quem somos.

Você acredita em um padrão de beleza?

Nesse mundo da moda eu acredito que não tenha um padrão, vejo em grandes marcas mulheres e homens com belezas tão diferentes. As vezes o que é bonito para mim acaba não sendo para outros.




Um jogo rápido.

Um desejo para 2017?

Entrar na Casa de Criadores para desfilar minha marca.

Um erro de estilo?

Seguir padrões.

Um ícone fashion?

Para mim, Lady Gaga! ❤

Uma peça essencial?

Camiseta preta, essa todos nós temos que ter no guarda-roupas.

A melhor invenção da moda é?

Vestido de carne? (risos). Ah! Eu amo salto alto, são incríveis. Inclusive homens deveriam começar a usar, assim como as mulheres usam tênis. Direitos iguais né, non?


Se você gostou da entrevista e das peças da coleção Close, Segue as redes sociais da marca. Lá você vai ficar por dentro de todas as novidades, além de acompanhar o trabalho. Basta clicar e pronto.

As imagens são do fotógrafo: Vinicius Costa

Modelos: Carz Fill e Nany Ferrari.

Página: PAULO TAWDR

Twitter: @paulotawdr

Instagram: @paulotawdr

Snap: paulotawdr

Para se apaixonar: Tati Lucindo e sua lente mágica.

27/10/2016

   Tati Lucindo é uma jovem fotógrafa do interior de São Paulo, com apenas 20 anos de idade, Tati exerce um trabalho de qualidade e prova que jovens fotógrafos são sim competentes e que podem realizar trabalhos dignos de elogios e atenção. Conheci Tati através do seu instagram e logo me apaixonei. A delicadeza e a sensação de leveza que Tati transmite através de suas fotos é algo indescritível. Se você não acredita que fotografia é arte, então espere até conhecer o trabalho magnífico da fotógrafa Tati Lucindo.



      Tati, com quantos anos começou a fotografar?


   Comecei a ter um contato maior com a fotografia aos 13 anos, quando ganhei minha primeira câmera digital e me interessei mais em pesquisar sobre o assunto. Foi quando a paixão começou a nascer.

   Quando percebeu que essa paixão poderia se tornar uma profissão?

   Acho que quando comecei a seguir fotógrafos profissionais e me encantar pelos seus trabalhos. Imaginava-me com uma câmera profissional, tirando fotos tão lindas quanto às deles. Aí percebi que era o que eu queria fazer para o resto da vida.


   Como surgiram os primeiros trabalhos? Qual foi sua reação?

   Bom, quando eu ganhei minha câmera comecei a fotografar de tudo. Como eu fotografava várias amigas, começou a surgir pessoas interessadas em me contratar. Foi bem natural, eu não saí divulgando porque sempre fui insegura com tudo o que eu faço, então os trabalhos surgiram pelo interesse das pessoas mesmo e eu aceitei fazer. Com o tempo fui definindo meu preço e conquistando mais oportunidades. Confesso que nas primeiras vezes que aparecia clientes eu ficava feliz, mas bem nervosa e ansiosa. É normal se sentir assim no começo.


   Referência de profissional: Quem inspira você e o que inspira você?

   Tenho muitas inspirações! São anos acompanhando vários fotógrafos. Mas entre as minhas maiores referências estão a Sharon Eve Smith e o Dmitry Gerasimovich. De resto, sou muito inspirada pelas pequenas coisas do cotidiano e pela natureza com seus detalhes.

   Eu acredito que podemos aprender com absolutamente tudo. Trabalho, pessoas, livros, histórias e etc. O que a fotografia ensinou a você?

   A maior lição que eu aprendi com a fotografia, foi ver a beleza no simples. E é o que mais me encanta nessa arte. Tem tanta beleza no nosso dia-a-dia, nas ruas, nos "cantos" e muitas vezes isso passa despercebido. Aprendi a parar e observar, e com isso encontrar pequenas coisas que deixam a vida mais bonita. Hoje valorizo muito pequenos momentos e pequenas felicidades.





O que você mais gosta de fotografar?

   Natureza! Não há nada que me faça mais feliz do que ir para o meio do mato com a câmera e fotografar flores, borboletas, insetos e paisagens. Mas também gosto muito de fotografar meu cotidiano e de registrar momentos, principalmente para guardar memórias da minha família e pessoas que eu amo.



Você tem o apoio dos seus familiares? Sabemos que não é uma profissão "segura" (pelo menos não para algumas pessoas). Você pensa em fazer outra coisa?

   Sempre tive o apoio da minha família, pelo menos dos meus pais e irmãos, mesmo sendo uma profissão um pouco arriscada. Eu penso em trabalhar apenas com fotografia autoral, ao invés de eventos e sessões fotográficas. Mas no momento isso é um pouco inviável, além de ser um nicho dentro da fotografia com um mercado bem difícil e mais arriscado ainda que o mercado "normal" que trabalha com prestação de serviço a clientes. Não que eu não goste desse mercado, mas vejo o meu potencial sendo maior em fotos autorais.

Hoje em dia por conta do crescimento das redes sociais todo mundo se acha um pouco fotógrafo e tem muita gente boa aparecendo. Você acredita que isso pode se tornar um problema?

   Pelo contrário, acredito que a popularização da fotografia só tem benefícios a trazer. Com isso lançaram equipamentos de entrada mais baratos e o olhar crítico das pessoas fica maior em relação a fotos e acho que no mercado há espaço para todo mundo. Claro que existem profissionais ruins de monte, mas essa popularização também deu a oportunidade de muitos poderem começar na carreira mesmo sem ter muitas condições. Antigamente uma câmera era artigo de luxo e com o crescimento da tecnologia isso mudou. Sem contar que as redes sociais são ótimas ferramentas para divulgação.


O que torna uma fotografia perfeita?

   O que me faz olhar uma foto e pensar "nossa, que foto perfeita" é o sentimento que ela me passa assim que eu a vejo. Gosto de fotos que contam uma história, que passam uma sensação de calma, de simplicidade e outras coisas boas. Isso é o mais importante, na minha opinião. Uma foto sem sentimento é só mais uma no meio de muitas. Destacam-se mesmo aquelas que nos fazem sentir.



Quando realiza um ensaio ou sai para fotografar, costuma buscar referências?

   Eu sempre busco referências algumas semanas antes do ensaio, mas não gosto de ver fotos sobre o assunto na semana e no dia que vou fotografar porque isso às vezes me atrapalha no processo criativo e eu acabo ficando com aquelas referências muito intensas, não me deixando muito livre pra criar. Comigo funciona melhor ir para o ensaio com a mente mais vazia, mas acho que isso depende de pessoa para pessoa.

Qual conselho daria para uma pessoa que quer começar a trabalhar com fotografia, mas se sente inseguro?

   A melhor forma de transformar sua fotografia em um trabalho é fazer muitos ensaios ou vários eventos (dependendo do que você quer fazer como carreira) antes de cobrar por isso, só para treinar. Divulgue muito esses trabalhos e naturalmente irão aparecer pessoas interessadas no seu serviço e tudo vai fluir. Não aconselho a começar cobrando um preço muito abaixo do mercado para ter mais clientes, porque isso acaba prejudicando o seu futuro como profissional. Ceder alguns trabalhos para treinar não é "trabalhar" de graça, e sim ganhar experiência e fazer contatos. É um aprendizado válido que ajuda muito na hora de começar uma carreira.

Quem seria Tati Lucindo sem sua câmera?

   Com certeza uma pessoa muito menos observadora. Tenho o costume de levar minha câmera sempre que eu posso na bolsa e por isso estou frequentemente observando tudo à minha volta para fotografar, mesmo quando ela não está comigo. Sem ela na minha vida eu não teria esse costume e talvez me importaria muito menos com as pequenas coisas e com detalhes.



Para encerrar...

Indique um fotógrafo para visitarmos?

   Eva Merry é uma fotógrafa muito inspiradora com retratos incríveis.

Um livro?

   Um livro que marcou minha vida foi ''O coração é um caçador solitário." Carson McCullers, eu não canso de indicá-lo.

Trilha sonora?

   Música é algo que me inspira muito para fotografar e sinceramente a trilha sonora do jogo "Life is Strange" combina muito com fotografia, inclusive o jogo tem muito sobre isso e todo fotógrafo amador ou profissional deveria jogá-lo.

Uma frase que resume você?


   Acho que eu não conseguiria me resumir em uma frase, mas eu gosto muito de uma fala da minha série favorita (Doctor Who) que basicamente é: "Somos todos histórias no final, então faça dessa uma boa história." Me inspira a guardar boas memórias da vida para no final realmente ter uma linda história.




 
   Meu agradecimento a Tati por ser uma fotógrafa incrível e por me inspirar com suas fotos lindas e delicadas. Agradeço pela paciência ao ceder essa bela entrevista. Sigam Tati no instagram: @tatsiology e no Flickr: Tati Lucindo. Ela também tem um blog lindo, façam uma visita: Tatsiology . Obrigado amado leitor, volte sempre. 


Sobre ela...

14/10/2016

 Ela pensou inúmeras vezes antes de partir. Perdeu o sono. Sabia que não seria fácil, mas acima de tudo sabia que era necessário. Ir embora para buscar a si. – Parecia tão certo. E era!


Amanheceu, lá estava ela, em pé a espera do primeiro ônibus, acompanhada por seu fone de ouvido e uma mochila discreta, ali havia apenas o necessário. O ônibus foi se afastando da cidadezinha, que agora parecera ainda menor. Com medo, virou-se, então percebeu que nunca pertenceu àquele lugar, o medo se tornou esperança. Esperança de um recomeço, uma vida nova repleta de sonhos.


Afinal, o que esperar de uma menina do interior? Sua mãe sempre imaginou um começo como o de sua irmã mais velha, casar aos vinte, ter filhos, viver para a família e ser uma boa dona de casa. Mas o começo de sua mãe, para ela, parecia o fim. Ela cresceu livre e não queria prender-se a alguém, nem sequer ter filhos, muito menos ficar em casa. Talvez sua casa fosse o mundo. – Nossa! Há um mundo imenso a ser conhecido e explorado. Cores, pessoas, sorrisos, histórias. Parece mágico ou lúdico, mas a vida é mágica. Na mochila uma câmera, aliás não apenas uma câmera, um presente do coração de alguém para uma garota pequena, nascida em um lugar pequeno. A câmera foi o começo de tudo, lhe deu um novo olhar e novos caminhos.

(Foto por: Bruno R. Inoshita, mais fotos em @roberto_Inoshita)




De cidade à cidade até sair do estado. Parecia tão solitária, mas estava completa e por onde passava deixava registros, uma foto, talvez um beijo e um amor momentâneo. – Ah! Ela é especial. Só tem algo que a diferencia não só de outras garotas, mas de muita gente. Coragem. Sim, largar o que parecia seguro e certo por tantas incertezas e inseguranças parecia loucura, mas era felicidade ou sua busca. Nunca houve arrependimento. Saudade? Talvez. Mas a vida passa muito rápido para ser vivida pela metade.  



Liberdade de amor

19/07/2016

   Se amar torna-me fraco, então pretendo ser fraco até meu último minuto. Antes tachado de iludido, do que um pobre coitado sem amor. Pois um mundo sem amor é um mundo sem cor. Sinto pena daqueles que resolvem passar por tudo isso sem compartilhar a melhor parte de si. Deixe a religião alheia, deixe o Breno amar Augusto e Maria amar Tereza. Deixe aquilo que não lhe pertence e preocupe-se com sua própria existência. O vazio da existência leva ao ódio. Ódio e vazio andam de mãos dadas, fiéis e inseparáveis companheiros amargurados.

   Por que preocupar-se em mudar a vida de alguém? Por que não mudar apenas a sua? Uma existência vazia pode ser um fardo. Um fardo desnecessário, dado a você como presente por seu ódio sem cabimento. Disseram-me: Pessoas felizes não incomodam ou atrapalham. Vivem sua própria vida.
   
   O que lhe falta é felicidade? Por que não buscá-la? Nunca é tarde para ser feliz, nunca é tarde para lutar por aquilo em que acreditamos. Não temos o direito de barrar a felicidade de alguém para assim nos sentirmos completos. A nossa verdade é apenas a nossa verdade. Quem lhe deu toda a razão terrestre?

   A vida é dada a todos os seres da mesma forma. Com a vida vem a liberdade e dentro dessa liberdade, cada ser, como individuo, escolhe a melhor maneira de usufruir desse presente. Se a liberdade de Maria é amar Tereza, o que podemos fazer, além de aceitar? Por que impedir alguém de ser feliz? Por que dizer a alguém que amar ou desejar não é certo? Quem sou eu? Quem é você? Não sei se somos capazes de responder. Uma coisa é certa, eu, você, nós não somos ninguém para dizer quem outras pessoas devem ou não amar. Essa decisão é individual e temos que respeitá-la.

(Foto Por: Bruno R. Inoshita, mais fotos em @roberto_inoshita)